Recentemente a revista Veja publicou uma matéria, a meu ver, de péssimo gosto sobre Marcela Temer, esposa do vice presidente Michel Temer. Obviamente não estou questionando a ridícula questão política por trás da matéria, mas sim o fato de declararem de forma tão machista um ideal para uma “boa moça”.
Sinceramente, acho lamentável que uma revista de tamanho renome tenha a infelicidade de colocar em palavras um ideal tão retrógrado, como se precisamos nos preocupar unicamente em agradar nossos maridos, cuidar da casa e claro, estar sempre bonita e ser sempre amável.
Acredito que a grande chave para a liberdade está em podermos escolher ser aquilo que nos realiza e nos deixa feliz, e isso significa, poder escolher sem que precisemos preencher rótulos pré-determinados.
Penso que cada um, seja homem ou mulher, deva poder escolher ser aquilo que deseja ser. Se uma mulher deseja se casar, ter filhos, cuidar da casa e etc. isso não a torna melhor ou pior do que outra que deseje ter uma vida fora deste “padrão”. Trabalhar, conquistar independência, se casar, morar junto, ter filhos, não ter filhos, ficar solteira, ter romances, enfim, tudo são escolhas, escolhas que devemos ser livres para tomar, baseadas em nossos desejos e convicções.
Sei que não é bem assim que as coisas acontecem, mas isso não quer dizer que precisamos nos conformar. Questionar o que parece errado, procurar saber direto da fonte, pensar sobre o assunto, discutir e conversar, são meios de se quebrar paradigmas e mudar realidades.
Porém, se deixar levar pelo “calor do momento” é também perigoso, pelo menos a meu ver.
Uma mulher pode escolher viver segundo esse padrão de “bela, recatada e do lar” se for isso o que ela realmente deseja para si, porque, foi como eu disse, a liberdade reside na possibilidade de escolha e, para mim, a grande diferença está em isso não se tornar um fator obrigatório para todas as outras.
Sem taxações ou padrões!
Se queremos uma sociedade melhor vamos nos impor, vamos dizer “Não concordo”, mas vamos fazer isso sem denegrir e criticar umas as outras. Vamos fazer diferente, vamos dizer “nós somos capazes de ser o que quisermos ser”, mas, vamos fazer isso sem impor para as outras, o que consideramos como sendo certo para nós mesmas.
por Natalia Nunes


