quinta-feira, 21 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar... Bom, não necessariamente

    Recentemente a revista Veja publicou uma matéria, a meu ver, de péssimo gosto sobre Marcela Temer, esposa do vice presidente Michel Temer. Obviamente não estou questionando a ridícula questão política por trás da matéria, mas sim o fato de declararem de forma tão machista um ideal para uma “boa moça”.
  Sinceramente, acho lamentável que uma revista de tamanho renome tenha a infelicidade de colocar em palavras um ideal tão retrógrado, como se precisamos nos preocupar unicamente em agradar nossos maridos, cuidar da casa e claro, estar sempre bonita e ser sempre amável.
    Acredito que a grande chave para a liberdade está em podermos escolher ser aquilo que nos realiza e nos deixa feliz, e isso significa, poder escolher sem que precisemos preencher rótulos pré-determinados. 
Penso que cada um, seja homem ou mulher, deva poder escolher ser aquilo que deseja ser. Se uma mulher deseja se casar, ter filhos, cuidar da casa e etc. isso não a torna melhor ou pior do que outra que deseje ter uma vida fora deste “padrão”. Trabalhar, conquistar independência, se casar, morar junto, ter filhos, não ter filhos, ficar solteira, ter romances, enfim, tudo são escolhas, escolhas que devemos ser livres para tomar, baseadas em nossos desejos e convicções.
   Sei que não é bem assim que as coisas acontecem, mas isso não quer dizer que precisamos nos conformar. Questionar o que parece errado, procurar saber direto da fonte, pensar sobre o assunto, discutir e conversar, são meios de se quebrar paradigmas e mudar realidades. 
    Porém, se deixar levar pelo “calor do momento” é também perigoso, pelo menos a meu ver.
    Uma mulher pode escolher viver segundo esse padrão de “bela, recatada e do lar” se for isso o que ela realmente deseja para si, porque, foi como eu disse, a liberdade reside na possibilidade de escolha e, para mim, a grande diferença está em isso não se tornar um fator obrigatório para todas as outras.

Sem taxações ou padrões! 

    Se queremos uma sociedade melhor vamos nos impor, vamos dizer “Não concordo”, mas vamos fazer isso sem denegrir e criticar umas as outras. Vamos fazer diferente, vamos dizer “nós somos capazes de ser o que quisermos ser”, mas, vamos fazer isso sem impor para as outras, o que consideramos como sendo certo para nós mesmas.





por Natalia Nunes

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sobre ontem e sobre tudo

Sei que muitos celebram enquanto outros discordam e se revoltam. Porém, independentemente disso, preciso dizer que hoje se trata de um dia fundamentalmente triste.
Triste porque chegamos a tanto, chegamos ao dia em que mais um presidente está sendo julgado... Chegamos mais uma vez ao dia em que precisamos assistir de modo escancarado o desrespeito daqueles que deveriam nos representar.
Sinto muito se ofendo, mas assistir aqueles que em meio aquele circo televisionado pronunciaram palavras inflamadas e bonitas (e me refiro a todos eles) me fez apenas ter certeza do quão somos mal representados.
Eles não pensam em nós e nem mesmo por nós.
Eles pensam por si e para si apenas.

fonte: http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Flor-Morta--274045/
Escrito por Natalia Nunes


terça-feira, 12 de abril de 2016

Prólogo: As Palavras

   Como escritoras curiosas que somos, as palavras nos intrigam e nos fascinam de forma intensa.
   Entendê-las e senti-las é, para nós, um desafio compartilhado e até então desconhecido.
   Por isso, baseado nesta afinidade descoberta por acidente, ressuscitamos nosso blog com duas publicações sobre o mesmo assunto: as palavras

fonte da imagem: http://filoversismo.blogspot.com.br/2014/05/trecho-de-batalha-das-palavras.html

As Palavras parte I: Bibit Bobit Bum

   
   Em um passe de mágica Cinderela ganhou um vestido, um sapato, uma carruagem e uma noite que lhe concedeu um futuro tranquilo e feliz para o resto de sua vida.
   Mas seria possível? Será mesmo que apenas algumas palavras, algumas simples e talvez poderosas palavras, poderiam mudar todo o curso de uma vida, ou de muitas vidas?
Bom, não tenho dúvidas quanto ao poder motivador das palavras, porém, tenho sérias dúvidas quanto aos seus poderes miraculosos.
   A crença nas ações pode parecer ser imediatista para alguns, entretanto, acredito que no final do dia serão essas ações que provocarão o estímulo para as palavras “poderosas”, sendo elas positivas ou negativas.
   Dizer que se acredita em algo é relativamente mais fácil do que de fato agir em favor deste algo, supostamente acreditado. Agir significa expor-se, dizer onde se está e assim, assumir todos os riscos por isso.
   Palavras mágicas estimulam e temporariamente alimentam, porém um pouco de atitude faz com que essas palavras deixem de ser pura magia fantasiosa para se tornar uma ação realista.
   Seria ótimo viver em um conto de fadas, onde todos são mocinhos e mocinhas que terão seus finais felizes assegurados com 100% de certeza, contudo, não é bem assim aqui na terra da realidade... A felicidade não é alcançada apenas no final, depois de uma onda infinita de bondade e resignação... Não!
   A felicidade é construída e muitas vezes pode se tornar desafiadora. Sofrer, rir, revoltar-se, chorar, alegra-se, entusiasmar-se... Tudo é um processo contínuo e altamente mutável, que varia de pessoa para pessoa. Porque, no final das contas, é isso o que significa a palavra viver.
   Não há pré-requisito, também não há “passo-a-passo”. Vivemos, muitas vezes, na base de  tentativa e erro,  em  eterna experimentação, que nos faz vivenciar todos os tipos de eventos e acontecimentos, esperados ou não.
   Viver significa arriscar-se, mas também pode significar aquietar-se. Tudo irá depender de quem está decidindo, de quem esta conduzindo.
   Portanto, sintamos a magia, mas não embarquemos totalmente nela, porque as palavras muitas vezes podem ser lindas, mas isso não necessariamente significa que sejam verdade.

Escrito por Natalia Nunes

As Palavras parte II: Elas têm poder

   Elas têm poder...

   E muito...


   Movem montanhas, constroem heróis, pintam vilões, marcam a alma, contam histórias, fazem agir, fazem o bem, dividem tristezas, descrevem memórias, multiplicam o amor, dão força às magoas, porque nem sempre são boas, essas danadas... Com sua força o mar dança, deuses tomam forma, príncipes criam vida, o que era só ida vira volta e tudo se mistura num liquidificador. Como as coroas douradas, as palavras dão poder: de furar e ferir, costurar e colar, de fazer virar infinito, de fazer ser eterno. 
Se faltam, deixam culpas; se sobram, deixam cicatrizes. 
   Com elas é que a menina se põe a sonhar: acredita, sente e faz com que acreditem no que passa em seu coração, as vezes de forma atrapalhada, quando os pensamentos são mais rápidos do que ela pode colocá-los no mundo, mas tudo sai sem filtros, sem pudor, num fluxo constante. 
   A mulher, por sua vez, se defende, argumenta, vira o jogo, dá sermão, usa todas as cartas na manga para construir, conduzir, acalmar, mas não se acalma. O pensamento continua rápido demais, os desejos desencontram a realidade, e as palavras lhe faltam, há anos elas lhe faltam. Talvez não mais... Talvez! 
   As duas juntas fazem das palavras gato e sapato: um tornado na mente, uma enchente no coração, uma calmaria na fala sempre controlada... E cada detalhe do que já lhe foi dito, rasgado e jogado pra fora sem cuidado, a transforma em uma nova versão de si, um novo fenômeno da natureza, em verde, em azul, em vermelho. E cada letra vira ferramenta: organiza, desregula, transforma, reinventa e volta ao começo, tudo de novo. 
   Ela pinta e borda para colocar-se nos eixos, para perder-se no tempo, para encontrar a saída, transbordando tudo que sobra e não lhe fará falta. Desenrola! Esclarece! Cura! Muda! Onde está a ajuda? Ahhhh, essas palavras!


Escrito por Giovana Renoldi