terça-feira, 12 de abril de 2016

As Palavras parte II: Elas têm poder

   Elas têm poder...

   E muito...


   Movem montanhas, constroem heróis, pintam vilões, marcam a alma, contam histórias, fazem agir, fazem o bem, dividem tristezas, descrevem memórias, multiplicam o amor, dão força às magoas, porque nem sempre são boas, essas danadas... Com sua força o mar dança, deuses tomam forma, príncipes criam vida, o que era só ida vira volta e tudo se mistura num liquidificador. Como as coroas douradas, as palavras dão poder: de furar e ferir, costurar e colar, de fazer virar infinito, de fazer ser eterno. 
Se faltam, deixam culpas; se sobram, deixam cicatrizes. 
   Com elas é que a menina se põe a sonhar: acredita, sente e faz com que acreditem no que passa em seu coração, as vezes de forma atrapalhada, quando os pensamentos são mais rápidos do que ela pode colocá-los no mundo, mas tudo sai sem filtros, sem pudor, num fluxo constante. 
   A mulher, por sua vez, se defende, argumenta, vira o jogo, dá sermão, usa todas as cartas na manga para construir, conduzir, acalmar, mas não se acalma. O pensamento continua rápido demais, os desejos desencontram a realidade, e as palavras lhe faltam, há anos elas lhe faltam. Talvez não mais... Talvez! 
   As duas juntas fazem das palavras gato e sapato: um tornado na mente, uma enchente no coração, uma calmaria na fala sempre controlada... E cada detalhe do que já lhe foi dito, rasgado e jogado pra fora sem cuidado, a transforma em uma nova versão de si, um novo fenômeno da natureza, em verde, em azul, em vermelho. E cada letra vira ferramenta: organiza, desregula, transforma, reinventa e volta ao começo, tudo de novo. 
   Ela pinta e borda para colocar-se nos eixos, para perder-se no tempo, para encontrar a saída, transbordando tudo que sobra e não lhe fará falta. Desenrola! Esclarece! Cura! Muda! Onde está a ajuda? Ahhhh, essas palavras!


Escrito por Giovana Renoldi

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