Como eu os admiro... Admiro a coragem
que os embala, a força que os motiva e a paixão que os alimenta. Me impressiono
com a força, com a garra e com a determinação que vejo expressa em seus olhos.
Admiro os sorrisos ao receber a
medalha e me entristeço com as lágrimas frente a inabalável certeza de que
dessa vez não vai dar.
Gosto de ver como eles enlouquecem,
como gritam e agitam suas bandeiras. Sim, suas bandeiras, porque apesar de amar
ver os representantes do meu país no pódio, também torço por todos os outros e
me alegro quando eles são recompensados.
Claro, as Olimpíadas são baseadas em
competições e sei que todos estão ali para ganhar, mas cara, quando vejo a
explosão de emoção das pessoas no estádio quando alguém ganha, ou quando os
vejo ovacionarem alguém pela conquista alcançada sinto-me contagiada.
E da TV do meu quarto recebo toda
aquela positividade, todo aquele orgulho e toda aquela sensação de glória.
É incrível ver tantas nações
diferentes unidas, sentadas umas ao lado das outras, torcendo e se emocionando
em conjunto. As vezes eles torcem como eu, por outros atletas, mas quem se
importa?
No final, o importante é a sensação
de que por algum tempo, mesmo que por pouco tempo, as pessoas conseguiram se
conectar de alguma forma, misturando bandeiras e unificando cores.
Todos, por alguns instantes eram
apenas pessoas, que munidas de sua euforia, gritavam, choravam e riam juntos.
Pode até ser que coisas ruins tenham
acontecido, que maus exemplos tenham existido
para corromper todo esse meu discurso positivista. Mas vocês querem saber? não
me importo.
Não me importo porque, pelo menos uma vez, quero ser como algumas
dessas pessoas que, por alguns segundos, experimentaram o gostinho de acreditar
que tudo é lindo e pode ser ainda mais lindo, sem medo, sem raiva, sem mortes
ou penalidades.
Quero acreditar só um pouquinho mais
que poderemos, um dia, ser esse grande grupo, uma grande mistura de cores e
bandeiras, uma interessante mistura de hábitos que, acreditem ou não, tornam-se
muito mais belos quando as pessoas aprendem a conviver e a derrubar sua própria
intolerância.
Escrito por Natalia Nunes
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| fonte: http://www.opera10.com.br/2015/10/olimpiadas-politica-e-competicao-por.html |

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