domingo, 21 de agosto de 2016

Os anéis que nos uniram


Como eu os admiro... Admiro a coragem que os embala, a força que os motiva e a paixão que os alimenta. Me impressiono com a força, com a garra e com a determinação que vejo expressa em seus olhos.
Admiro os sorrisos ao receber a medalha e me entristeço com as lágrimas frente a inabalável certeza de que dessa vez não vai dar.
Gosto de ver como eles enlouquecem, como gritam e agitam suas bandeiras. Sim, suas bandeiras, porque apesar de amar ver os representantes do meu país no pódio, também torço por todos os outros e me alegro quando eles são recompensados.
Claro, as Olimpíadas são baseadas em competições e sei que todos estão ali para ganhar, mas cara, quando vejo a explosão de emoção das pessoas no estádio quando alguém ganha, ou quando os vejo ovacionarem alguém pela conquista alcançada sinto-me contagiada.
E da TV do meu quarto recebo toda aquela positividade, todo aquele orgulho e toda aquela sensação de glória.
É incrível ver tantas nações diferentes unidas, sentadas umas ao lado das outras, torcendo e se emocionando em conjunto. As vezes eles torcem como eu, por outros atletas, mas quem se importa?
No final, o importante é a sensação de que por algum tempo, mesmo que por pouco tempo, as pessoas conseguiram se conectar de alguma forma, misturando bandeiras e unificando cores.
Todos, por alguns instantes eram apenas pessoas, que munidas de sua  euforia, gritavam, choravam e riam juntos.
Pode até ser que coisas ruins tenham acontecido, que  maus exemplos tenham existido para corromper todo esse meu discurso positivista. Mas vocês querem saber? não me importo. 
Não me importo porque, pelo menos uma vez, quero ser como algumas dessas pessoas que, por alguns segundos, experimentaram o gostinho de acreditar que tudo é lindo e pode ser ainda mais lindo, sem medo, sem raiva, sem mortes ou penalidades.

Quero acreditar só um pouquinho mais que poderemos, um dia, ser esse grande grupo, uma grande mistura de cores e bandeiras, uma interessante mistura de hábitos que, acreditem ou não, tornam-se muito mais belos quando as pessoas aprendem a conviver e a derrubar sua própria intolerância.

Escrito por Natalia Nunes

fonte: http://www.opera10.com.br/2015/10/olimpiadas-politica-e-competicao-por.html



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vertente de mim...


Sou doidamente normal, 
rio de suas loucuras e me abstenho de tentar negá-las
tenho-as em meu cerne, em meu corpo, em minha pele
tenho-as incrustadas em mim, perfeitamente belas
tenho-as dessa forma
porque delas vejo, inteiramente, uma parte de mim

escrito por Natalia Nunes

fonte: http://crystalvisionsmeire.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Tempo


Me disseram que o tempo é uma morada
Uma confusa morada onde o certo nem sempre pode ser explicado
Me disseram, certa vez, que o tempo era uma estrada
Tortuosa e vazia
E totalmente repleta de novas estradas
Sim, eles me disseram
Disseram que o tempo nunca pararia, nunca cessaria sua jornada,
Mas que escolha tinha, eu perante aquelas frases, senão resignar me de minha escolha
De minha estranha tendência em fingir que todos eles estavam errados

Natalia Nunes

Fonte: https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwia5-nqvcPOAhVGGJAKHegIBQAQjRwIBw&url=http%3A%2F%2Fwww.maedeguri.com.br%2F2016%2F05%2Ftempo-amigo-ou-nao.html&psig=AFQjCNF8wYUJ5ajYCDi6ug4_OsZvNoZEtg&ust=1471352629566653



quarta-feira, 13 de julho de 2016

Sobre crenças "infundadas"

     Certa vez, quando estava sentada às margens de um rio claro, vi um menino ser ofendido porque acreditava na existência das fadas. Disseram a ele que elas não existiam e que se limitavam a uma fantasia tola e por isso, não tolerada.
     Pois bem, de onde estava pude ver o menino se sentar e sofrer, chorando as mais sentidas lágrimas que um ser humano poderia chorar. Ele tentara rebater aquelas calúnias sobre suas fadas, porém, o adulto que gritava não lhe dera chance alguma de defesa. “Como pode achar que tal criatura existe? Menino tolo! Não me faça perder tempo com suas tolices”. Era o que ele gritava.
     E frente à leitura que fazia daquela cena entendi, ou quis assim entender, que aquele deveria ser o pai, endurecido por mais um dia naquele mundo que há muito deixara de tratá-lo bem.
     Queria culpá-lo, queria sentir raiva pela sua insensibilidade para com o garoto que, pela semelhança, deveria ser seu amado filho. Porém, por mais que eu quisesse odiá-lo por todo aquele rancor sobre o menino, não pude fazê-lo porque eu sabia que alguém, anos antes, havia lhe dito o mesmo, talvez não sobre suas fadas, mas  sobre seus gnomos ou duendes,  e esse alguém havia lhe tirado a  mágica que o impedia de ver completamente o mundo que o cercava.
     Os humanos são criaturas estranhas, e ainda mais é o mundo que construíram para si : Um mundo repleto de complicadas regras e de curiosas normas, que de um modo irônico integra na mesma proporção em que  separa e  segrega.
     Parecem ter nascido da desilusão, estes humanos, e parecem ser guiados por ela, ao menos a maioria deles. Cada um constrói suas próprias desilusões e alguns até mesmo se enterram com elas.
     Porém, há uma minoria , uma estranha e silenciosa minoria que ainda acredita, que ainda vive por algo que não se resume a eles próprios.
     Essa minoria ainda se anima com pequenos e curiosos eventos que se passam, eles sonham com seu mundo e por algum motivo ainda julgam ter o poder de ver seu sonho realizado. Essa minoria não desconhece a dor e muito menos os maus presságios, mas eles prosseguem com uma luz estranha e quente, que os levanta e os faz vivenciar a vida ao invés de apenas passar sorrateiramente por ela.
     E tal resolução me atingiu enquanto estava ali sentada, próxima àquele rio , observando o menino secar suas lágrimas. 
     Ao vê-lo entendi que ele não chorava por suas crenças quebradas. Não. Ele chorava pelo seu pobre senhor, que tudo lhe dava, mas que, de tão cansado da existência que a realidade  lhe dera, se esquecera de que a verdadeira existência baseava-se, aparentemente, em coisas infundadas.
     Isso porque, quando os olhos do menino me focaram compreendi que o mundo, de alguma maneira sensata, tentava curar a si mesmo, gerando pessoas que acreditavam pelo simples fato de acreditar. 
     E mesmo sem realmente me ver, o menino sabia que eu estava lá, sentada passivamente observando a correnteza , prestes a ignorar a existência de minhas próprias envelhecidas amigas fadas.

Escrito por Natalia Nunes

Fonte https://fujocka.wordpress.com/tag/fadas/

terça-feira, 7 de junho de 2016

Nasci mulher...

   Nasci mulher.

   Mas se pudesse escolher, teria nascido homem.

  E sequer digo isso por todas as diferenças fisiológicas que as mulheres encaram: cólicas, oscilações hormonais, parto. Digo isso por uma questão cultural que veio à tona recentemente e diversas vezes.
   Sim, cultural. Ser mulher em uma sociedade de cultura machista e hipócrita não é fácil.

   E eu, que sempre me calo, cansei de ficar quieta. 
   Isso não é só mais um incômodo, passou a ser uma necessidade.
   Precisamos resolver isso.

   Sabe, aprendi, desde muito pequena, a ter medo pelo simples fato de ser menina. Não podia fazer coisas que meu irmão fazia por ser menina. Andar sozinha? Sem chance, nem sair para brincar. Amigos homens? Fui julgada até por outras meninas. Sair a noite? Até meus 18 ou 19 anos só se estivesse com meus pais, e mesmo depois disso, cada vez que saio escuto do meu pai frases do tipo “filha, não aceita bebida de ninguém”, “cuidado com o copo”, “quando chegar em casa me avisa”, “se tentarem levar o carro, entrega, mas por nada nesse mundo deixe que te coloquem dentro dele e te levem, grita, corre”, “toma cuidado na hora que chegar em casa, preste atenção na rua, pra ver se não tem ninguém estranho”. Agradeço os alertas que certamente evitaram que coisas ruins me acontecessem, claro, mas dói porque ele também tem medo que algo aconteça.

   Aprendi a ter medo, sim. Muito medo!

   Vivo em estado de alerta.

   Porque já estive em uma situação na qual um ex, após terminarmos, disse que “não ficaria desse jeito” e durante meses precisei mudar minha rotina e meus trajetos, evitando andar sozinha mesmo durante o dia. Porque já seguiram a mim e a uma prima na rua, porque já vi minha tia sangrar depois de uma briga com o namorado, porque já tentaram ficar comigo à força, porque já me morderam ou puxaram meu cabelo achando que isso me conquistaria, quando tudo isso me dá nojo e raiva (e ainda mais medo). Tenho medo porque alguém, num acesso de raiva durante uma briga pela internet, quebrou meus CDs e esmurrou uma porta, e acho que se eu estivesse perto, poderia ter sido meu braço. Morro de medo porque já ouvi inúmeros casos de agressão contra moças que reagiram à assédio, porque homens podem achar que são donos do mundo e de mim. Vivo com medo porque uma mulher andando sozinha está sujeita a situações perigosas que um homem andando sozinho não está, e não importa que roupa esteja usando. Porque sou mulher, simplesmente... Por que? Porque...

   Preciso continuar listando meus motivos? Ainda tenho muitos.

   Meus pais não deveriam precisar passar por isso (nem os de ninguém), não deveriam se sentir mal por saber que tantas coisas já me aconteceram apesar de todos os cuidados que tomaram, afinal, eu cresci e eles não podem me manter em uma bolha de vidro e me proteger de tudo, certo?
   Coisas ruins acontecem o tempo todo.

   Mas sabe o que é pior? Se algo acontecesse comigo, acho que muitos diriam que eu estava onde não deveria. Como se isso justificasse. A culpa seria minha.

   Só que não.

   Mulheres não têm o mesmo direito de ir e vir. Não seja hipócrita. Está ai pra todo mundo ver.
   Mulheres não são vistas como iguais, não têm os mesmo direitos, não são respeitadas, não têm voz, não têm poder de decisão sobre seus corpos, ainda têm suas recusas ignoradas, ainda têm seu espaço pessoal violado, ainda são culpadas por crimes de outros, ainda são vítimas dentro de suas próprias casas, dentro de ambientes onde, supostamente, nada de ruim deveria acontecer.

   E ainda dizem que a luta por direitos iguais é desnecessária, que lutamos por isso, quando no fundo queremos que tudo seja como antes.

   Tente viver com medo, depois conversamos.

   Como eu disse, ser mulher nesse mundo não é fácil: se gosta de sair com as amigas? Bebe? Não quer ter filhos? Não quer casar? Acha que as atividades domésticas têm que ser divididas? Transa antes do casamento? Acredita que a responsabilidade de cuidar da casa e da família é compartilhada? Não serve. É biscate. Merece ser estuprada.

   Não venha me dizer que não é assim, já falaram isso pra mim, mais de uma pessoa e em situações diferentes.  E eu já julguei em algumas situações, mas só porque não estava acontecendo comigo. Falha minha, também sou humana.

   A questão é: sou mulher, estudante, busco minha independência financeira, quero ter casa e carro próprios, não sei se quero casar ou ter filhos, quero viajar (e queria poder fazer isso sozinha, mas não posso), quero sair pra dançar e voltar pra casa bem e, acima de tudo, quero segurança.


   Porque tenho medo.


Giovana Renoldi

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Falar com paixão inspira, sabia?

 Ouvi-lo falar foi contagiante. Ele falava com calor na voz, com convicção em cada palavra e com um toque de paternalismo, ouso dizer.

   Era notável, quase palpável, a ligação entre ele e a profissão que escolheu. O significado de ser professor para ele é aprendizagem mais do que ensinamento. “A única coisa que permanece é a mudança”, concluiu e acredito que, por dizer isso, ele não se engana a ponto de considerá-la perfeita, mas ainda assim contagiou quem ouviu.

   Ele, de fato, ama aquilo que faz.

   Hoje quis descrever o que senti em reação às suas palavras e não sei se o faço com precisão, mas digo uma coisa: encontrei, em meus 23 anos de vida e diversas escolas, poucos que fossem capazes dessa mágica de inquietar-me, comover-me e contagiar-me tão intensamente de forma que me fizessem pensar o sentido da vida, meu propósito e minhas convicções.

   Esse professor foi um desses poucos e posso indicá-los todos, se quiserem, porque sem dúvida são inesquecíveis. Ensinaram-me mais do que as matérias que lecionavam, ensinaram muito mais do que imaginam porque entenderam que podem contribuir com algo além de conceitos, fizeram-me pensar, ajudaram-me a sonhar e batalhar pelo meu futuro. 

   São esses mágicos da arte de ensinar, inspirar, emocionar e construir o futuro, não só meu, mas de toda uma sociedade, que me inspiram, eles marcam nossa trajetória de forma tão intensa que serão lembrados a cada obstáculo vencido. Para eles tiro o chapéu e me rendo a sua importância.

   Pois o mundo precisa dessa paixão.


   Parabéns a todos os meus queridos professores!

Giovana Renoldi

domingo, 8 de maio de 2016

Como não ser clichê?

        Como não dizer “eu te amo” ou “você é a pessoa mais especial desse mundo” para a pessoa que de fato é tudo isso e mais um pouco para você? 
        Como não utilizar cartões, flores e chocolates, para tentar expressar de alguma forma a gratidão e o amor que a elas dedicamos?

Como? É o que me pergunto...
Simples, não há como.

        Fazemos isso e faremos isso, não apenas hoje, mas em todos os aniversários, em todas as comemorações e em todos os dias que tivermos a oportunidade de dizer “Eu te amo”. Porque o fato de as amarmos é a mais pura e única verdade.
        Somos absolutamente, completamente e eternamente apaixonados por essas pessoas que, carinhosamente, denominamos mães ou mamães. Foram elas que, tão bravamente, nos carregaram em seus braços, nos olharam enquanto dormíamos e nos alimentaram com coisas que nós não necessariamente gostávamos, mas que precisávamos ingerir.
        Por elas somos amados, mimados, protegidos e mantidos sob a ilusão de que elas estarão sempre lá, do outro lado da linha, naquela mesma rodoviária ou aeroporto a nos esperar. 
        Por conta delas somos o que somos hoje e temos as memórias que carregamos para tão longe conosco, como nossos cobertores para os momentos mais frios e difíceis.Elas são mais do que seriamos capazes de descrever, pois o amor que elas nos dedicam é muito mais do que podemos realmente conceber.
        São criaturas curiosas, essas mamães, com suas maneiras e jeitos, suas manias e trejeitos e todo um conjunto de particularidades que as tornam o ser mais complexo de todo esse universo. 
        São muitas as suas habilidades e, para cada filho, uma nova especialidade é dedicada, para, no fim, conseguir de algum jeito mágico nos fazer crescer e evoluir para um ser de quem o mundo pode realmente esperar alguma coisa.
        Elas são o que precisamos ter, são as bases que nos fazem crescer. 
        E é por isso que ser clichê é algo impossível de se evitar, porque o dia delas foi ontem, é hoje e será amanhã. Elas serão sempre e para sempre as pessoas mais incríveis que algum dia já tivemos a honra e a oportunidade de conhecer.

Parabéns a minha e a todas as outras incríveis mamães de todo esse mundo!
Natalia Nunes

fonte: www.topimagens.com




quinta-feira, 21 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar... Bom, não necessariamente

    Recentemente a revista Veja publicou uma matéria, a meu ver, de péssimo gosto sobre Marcela Temer, esposa do vice presidente Michel Temer. Obviamente não estou questionando a ridícula questão política por trás da matéria, mas sim o fato de declararem de forma tão machista um ideal para uma “boa moça”.
  Sinceramente, acho lamentável que uma revista de tamanho renome tenha a infelicidade de colocar em palavras um ideal tão retrógrado, como se precisamos nos preocupar unicamente em agradar nossos maridos, cuidar da casa e claro, estar sempre bonita e ser sempre amável.
    Acredito que a grande chave para a liberdade está em podermos escolher ser aquilo que nos realiza e nos deixa feliz, e isso significa, poder escolher sem que precisemos preencher rótulos pré-determinados. 
Penso que cada um, seja homem ou mulher, deva poder escolher ser aquilo que deseja ser. Se uma mulher deseja se casar, ter filhos, cuidar da casa e etc. isso não a torna melhor ou pior do que outra que deseje ter uma vida fora deste “padrão”. Trabalhar, conquistar independência, se casar, morar junto, ter filhos, não ter filhos, ficar solteira, ter romances, enfim, tudo são escolhas, escolhas que devemos ser livres para tomar, baseadas em nossos desejos e convicções.
   Sei que não é bem assim que as coisas acontecem, mas isso não quer dizer que precisamos nos conformar. Questionar o que parece errado, procurar saber direto da fonte, pensar sobre o assunto, discutir e conversar, são meios de se quebrar paradigmas e mudar realidades. 
    Porém, se deixar levar pelo “calor do momento” é também perigoso, pelo menos a meu ver.
    Uma mulher pode escolher viver segundo esse padrão de “bela, recatada e do lar” se for isso o que ela realmente deseja para si, porque, foi como eu disse, a liberdade reside na possibilidade de escolha e, para mim, a grande diferença está em isso não se tornar um fator obrigatório para todas as outras.

Sem taxações ou padrões! 

    Se queremos uma sociedade melhor vamos nos impor, vamos dizer “Não concordo”, mas vamos fazer isso sem denegrir e criticar umas as outras. Vamos fazer diferente, vamos dizer “nós somos capazes de ser o que quisermos ser”, mas, vamos fazer isso sem impor para as outras, o que consideramos como sendo certo para nós mesmas.





por Natalia Nunes

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sobre ontem e sobre tudo

Sei que muitos celebram enquanto outros discordam e se revoltam. Porém, independentemente disso, preciso dizer que hoje se trata de um dia fundamentalmente triste.
Triste porque chegamos a tanto, chegamos ao dia em que mais um presidente está sendo julgado... Chegamos mais uma vez ao dia em que precisamos assistir de modo escancarado o desrespeito daqueles que deveriam nos representar.
Sinto muito se ofendo, mas assistir aqueles que em meio aquele circo televisionado pronunciaram palavras inflamadas e bonitas (e me refiro a todos eles) me fez apenas ter certeza do quão somos mal representados.
Eles não pensam em nós e nem mesmo por nós.
Eles pensam por si e para si apenas.

fonte: http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Flor-Morta--274045/
Escrito por Natalia Nunes


terça-feira, 12 de abril de 2016

Prólogo: As Palavras

   Como escritoras curiosas que somos, as palavras nos intrigam e nos fascinam de forma intensa.
   Entendê-las e senti-las é, para nós, um desafio compartilhado e até então desconhecido.
   Por isso, baseado nesta afinidade descoberta por acidente, ressuscitamos nosso blog com duas publicações sobre o mesmo assunto: as palavras

fonte da imagem: http://filoversismo.blogspot.com.br/2014/05/trecho-de-batalha-das-palavras.html

As Palavras parte I: Bibit Bobit Bum

   
   Em um passe de mágica Cinderela ganhou um vestido, um sapato, uma carruagem e uma noite que lhe concedeu um futuro tranquilo e feliz para o resto de sua vida.
   Mas seria possível? Será mesmo que apenas algumas palavras, algumas simples e talvez poderosas palavras, poderiam mudar todo o curso de uma vida, ou de muitas vidas?
Bom, não tenho dúvidas quanto ao poder motivador das palavras, porém, tenho sérias dúvidas quanto aos seus poderes miraculosos.
   A crença nas ações pode parecer ser imediatista para alguns, entretanto, acredito que no final do dia serão essas ações que provocarão o estímulo para as palavras “poderosas”, sendo elas positivas ou negativas.
   Dizer que se acredita em algo é relativamente mais fácil do que de fato agir em favor deste algo, supostamente acreditado. Agir significa expor-se, dizer onde se está e assim, assumir todos os riscos por isso.
   Palavras mágicas estimulam e temporariamente alimentam, porém um pouco de atitude faz com que essas palavras deixem de ser pura magia fantasiosa para se tornar uma ação realista.
   Seria ótimo viver em um conto de fadas, onde todos são mocinhos e mocinhas que terão seus finais felizes assegurados com 100% de certeza, contudo, não é bem assim aqui na terra da realidade... A felicidade não é alcançada apenas no final, depois de uma onda infinita de bondade e resignação... Não!
   A felicidade é construída e muitas vezes pode se tornar desafiadora. Sofrer, rir, revoltar-se, chorar, alegra-se, entusiasmar-se... Tudo é um processo contínuo e altamente mutável, que varia de pessoa para pessoa. Porque, no final das contas, é isso o que significa a palavra viver.
   Não há pré-requisito, também não há “passo-a-passo”. Vivemos, muitas vezes, na base de  tentativa e erro,  em  eterna experimentação, que nos faz vivenciar todos os tipos de eventos e acontecimentos, esperados ou não.
   Viver significa arriscar-se, mas também pode significar aquietar-se. Tudo irá depender de quem está decidindo, de quem esta conduzindo.
   Portanto, sintamos a magia, mas não embarquemos totalmente nela, porque as palavras muitas vezes podem ser lindas, mas isso não necessariamente significa que sejam verdade.

Escrito por Natalia Nunes

As Palavras parte II: Elas têm poder

   Elas têm poder...

   E muito...


   Movem montanhas, constroem heróis, pintam vilões, marcam a alma, contam histórias, fazem agir, fazem o bem, dividem tristezas, descrevem memórias, multiplicam o amor, dão força às magoas, porque nem sempre são boas, essas danadas... Com sua força o mar dança, deuses tomam forma, príncipes criam vida, o que era só ida vira volta e tudo se mistura num liquidificador. Como as coroas douradas, as palavras dão poder: de furar e ferir, costurar e colar, de fazer virar infinito, de fazer ser eterno. 
Se faltam, deixam culpas; se sobram, deixam cicatrizes. 
   Com elas é que a menina se põe a sonhar: acredita, sente e faz com que acreditem no que passa em seu coração, as vezes de forma atrapalhada, quando os pensamentos são mais rápidos do que ela pode colocá-los no mundo, mas tudo sai sem filtros, sem pudor, num fluxo constante. 
   A mulher, por sua vez, se defende, argumenta, vira o jogo, dá sermão, usa todas as cartas na manga para construir, conduzir, acalmar, mas não se acalma. O pensamento continua rápido demais, os desejos desencontram a realidade, e as palavras lhe faltam, há anos elas lhe faltam. Talvez não mais... Talvez! 
   As duas juntas fazem das palavras gato e sapato: um tornado na mente, uma enchente no coração, uma calmaria na fala sempre controlada... E cada detalhe do que já lhe foi dito, rasgado e jogado pra fora sem cuidado, a transforma em uma nova versão de si, um novo fenômeno da natureza, em verde, em azul, em vermelho. E cada letra vira ferramenta: organiza, desregula, transforma, reinventa e volta ao começo, tudo de novo. 
   Ela pinta e borda para colocar-se nos eixos, para perder-se no tempo, para encontrar a saída, transbordando tudo que sobra e não lhe fará falta. Desenrola! Esclarece! Cura! Muda! Onde está a ajuda? Ahhhh, essas palavras!


Escrito por Giovana Renoldi

segunda-feira, 14 de março de 2016

Eu Quero...

   Eu quero...

   Um país de que possa me orgulhar, para o qual possa olhar e dizer “nós estamos indo para frente”.
    Eu quero ter futuro.
    Quero pessoas que se importem - com suas terras, com suas águas, com sua gente.
    Eu quero me preocupar.
   Eu quero um país onde as pessoas sabem que podem ser melhores e que sabem que temos um grande potencial, basta agir.
   Quero um lugar onde os empregos existam e persistam, sem danos ou perdas, sem receios ou incertezas.
    Eu quero segurança.
   Quero uma comunidade que seja capaz de ver que nem tudo é sobre eles ou aqueles, ditos representantes, e que nem tudo se resume a remessas de dinheiro que se vão pra nunca mais voltar.
    Eu quero ter fé.
   Quero pessoas que olhem para isso com verdadeira e pura inquietação, que ouçam que eles dizem que somos tolos com palavras sutis e discursos mal escritos.
   Eu quero entender.
   Quero um país onde a questão ética não seja piada, onde não saber de nada se tornou viral, uma frase copiada, colada, repetida e propagada sem um pingo de vergonha.
   Eu quero ser diferente.
   Quero uma população que não seja omissa, que não se anule por não saber ou porque não quer se meter.
   Eu quero que todos possam falar.
   Quero alguma verdade, quero qualquer resquício de realidade que prove para eles, para todos eles, que o dinheiro que eles roubam e que a maldade que eles propagam vai ter volta, que eles vão ser responsabilizados.
   Eu quero justiça.
   Por favor! Quero que tudo isso seja verdade, quero um país do qual possa me orgulhar, e que mesmo em seus infinitos defeitos, possa ser referencia de algo mais, de algo que vá além da mais pura e sórdida corrupção, onde tudo acaba em festa, em pizza.
   Eu quero mais.
   Quero sair da inércia, quero que todos o façam...
   Quero crer num futuro que tanto depende de nós...
   Quero dar voz para tudo isso, afinal...
   Precisamos partir de algum lugar.
   Então vamos começar.

Autora: Natalia Nunes
Coautora: Giovana Renoldi